• Prêmio Melhor Cidade
  • Prêmio Melhor Destino de Inverno
  • Prêmio Prefeito Empreendedor
  • Transparência na Internet
  • Travellers Choice

Boquinhas visa reduzir índices de reprovação

Publicado em 09.08.2018

Buscando mudar os índices de reprovação na rede municipal de ensino, a Secretaria da Educação deu um importante passo em 2017 na implantação do Método das Boquinhas, que atestou a sua eficácia, proporcionando a aprovação de 35 alunos do 3º ano do ensino fundamental, que estavam com risco de reprovação, um percentual de 60% somente em três meses de uso da nova ferramenta com este grupo de estudantes.

“É importante ressaltar que o Método das Boquinhas veio para sanar um grande problema no município que é a repetência e o analfabetismo nos anos iniciais. E para tanto estamos estruturando através de dados estatísticos um novo ciclo onde as crianças saem deste estágio, alfabetizados”, comenta a Secretária da pasta, Gilça Silva.

A partir disso, neste ano, a Secretaria estendeu o método a todas as escolas, em turmas dos 1º aos 5º anos, proporcionando também capacitações e formações pedagógicas a professores, supervisores, orientadores, professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e equipe diretiva. Além disso, equipou as escolas com os materiais e jogos educativos necessários para o desenvolvimento da prática em sala de aula. Nesta terça-feira (7), encerrou-se a quinta etapa do processo com a formação de cerca de 100 profissionais da rede, no polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB).

“O Método Fonovisuoarticulatório, carinhosamente apelidado como Método das Boquinhas está de acordo com os atuais estudos de neurociência, os quais têm pesquisado como o nosso cérebro adquire a leitura e a escrita. Esses estudos mostram que precisamos estimular nossos alunos por meio de metodologias multissensoriais, nas quais vários inputs (entradas) neuropsicológicos são recrutados, favorecendo a aprendizagem de qualquer criança, inclusive daquelas que apresentam dificuldades, promovendo assim a inclusão escolar. Boquinhas tem atividades muito práticas, que foram elaboradas por meio de estimulação das percepções auditivas, visuais, sensoriais, consciência fonológica, orientações espaçotemporais, entre outras, e desta forma, nenhuma criança aprende copiando do quadro, e sim vivenciando a leitura e a escrita”, explica a aplicadora do método, a fonoaudióloga, psicopedagoga e mestranda em neurociência, Patricia Hoffmeister.

Segundo ela, pesquisas já comprovam há algum tempo os benefícios do método fônico em relação aos processos tradicionais da alfabetização. Entretanto, o som das letras ainda é uma ‘pista’ muito abstrata para uma criança, a qual pode confundir muitos sons parecidos como por exemplo o ‘m’ e o ‘n’. “O Boquinhas acrescentou os pontos de articulação de cada fonema (som), focando a aprendizagem em uma boca concreta, que produz esse som (abstrato), que está inserido nas palavras, permitindo que a alfabetização ocorra de forma segura e rápida. Além disso, ao estimular os movimentos da boca emitindo o som de uma letra, estamos atuando no córtex cerebral pré-frontal, pois ativa a área de Broca, situada nesta região, e assim estimulamos também a atenção destes alunos, e por isso temos resultados tão rápidos e eficazes nesta aprendizagem”, comenta.

A professora do 1º e 4º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Anchieta, na Várzea Grande, Joice Mapelli Antunes, conta que a ferramenta está acrescentando o trabalho da alfabetização que os professores vinham desenvolvendo na escola. “Percebo que os alunos estão aceitando bem o método e estão mais avançados que nos anos anteriores. Creio que a iniciativa veio para somar no processo da alfabetização, mas ainda estamos nos adaptando às novas atividades. Além disso, a monitoria das professoras que assessoram também está sendo importante nesse processo. Elas nos orientam com o uso do material do método. Estamos nos familiarizando e aos poucos acrescentando em sala de aula o que vamos aprendendo. Aos poucos, vamos aprimorando o conhecimento para se conseguir sempre melhores resultados”, relata.

Para a professora dos 1º anos das Escolas de Ensino Fundamental Maximiliano Hahn (Carniel) e Senador Salgado Filho (Piratini), Katia Zini Katczinski, que já fez vários cursos na área da alfabetização, inclusive pós-graduação, o Método é uma riquíssima ferramenta por se tratar de uma base multissensorial. “Analisando e me inteirando, percebi que já o usava em várias atividades, mas não focalizava diretamente nas boquinhas, e agora, através do curso, tenho plena segurança em aplicar estratégias fônicas (fonema/som) e visuais (grafema/letra) trazendo para mim um impacto positivo sobre os resultados que tenho percebido na aprendizagem e autoestima, tanto minha quanto dos meus alunos”, ressalta ela, que também destaca o trabalho da equipe que acompanha o processo, prestando assessoria com apresentação das sondagens e sugestões de atividades indicadas.

O Método das Boquinhas utiliza, em sua prática, estratégias fônicas, visuais e articulatórias. Seu desenvolvimento foi alicerçado na Fonoaudiologia, em parceria com a Pedagogia, sendo indicado para alfabetizar qualquer criança e mediar os distúrbios de leitura e escrita. O Boquinhas atinge, de maneira rápida e eficaz, a conversão fonema/grafema, viabilizando a compreensão e utilização do sistema de escrita alfabética (SEA). A assessoria do método em Gramado está sendo prestada pela fonoaudióloga e multiplicadora Andrea Liliane Campos.